Cães devem ser tratados

Cães devem ser tratados

 

 

Não, não devem ser sacrificados. Devem ser tratados! Lembremos de Gandhi: "A grandeza de uma nação pode ser vista pela forma como ela trata seus animais". O canicídio, prática realizada somente no Brasil, não é solução para o controle.


As primeiras pesquisas ocorreram em área de grande pobreza do Ceará, na década de 1950. Verificou-se que cães, homens e raposas podiam transmitir a Leishmania infantum para o mosquito palha. Desde então, foi estipulado que o controle seria feito através do tratamento das pessoas, combate ao mosquito palha e sacrifício dos cães doentes.


Dentre as medidas de controle, a eliminação de cães tornou-se o foco. Há mais de 50 anos, os cães vêm sendo mortos por conta da leishmaniose visceral. Apesar disso, os casos vêm crescendo ano a ano. A doença, antes em áreas rurais, migrou para as grandes cidades. Hoje, sabe-se que gatos, gambás, ratos e bovinos podem se infectar com Leishmania infantum. Já foi demonstrado que, quando o mosquito palha se alimenta em gatos, ele pode adquirir a doença. Estudos matemáticos afirmam que a pobreza é fator determinante para a doença em seres humanos, pois gera desnutrição e, consequentemente, torna as pessoas mais sensíveis, sobretudo as crianças.


A eliminação em massa dos cães é a medida menos eficiente. A mais eficiente é o controle do mosquito palha, pois ele é o transmissor. Revisão sistemática sobre o controle da leishmaniose nas Américas, encomendada pela Organização Pan-Americana de Saúde, concluiu que a "eliminação canina é a medida de controle menos aceita pela sociedade e tem baixa eficiência". Para a Organização Mundial de Saúde, "a eliminação em massa de cães soropositivos não tem demonstrado resultados efetivos em programas de controle, por exemplo, no Brasil". Para se ter ideia, entre os anos de 1990 a 1994, quase 80 mil cães foram sacrificados no Brasil e a doença aumentou em 100% no mesmo período.


Em Belo Horizonte, entre 2006 e 2010, 50.451 cães foram eliminados, e não houve queda no número de casos humanos. Além disso, os exames podem ter resultados positivos falsos. Se o cão tiver exame positivo, o médico veterinário deve ser procurado. O animal deve ser tratado com carinho e responsabilidade. O Brasil é o único país do mundo que quer obrigar as pessoas a matarem seus cães. Não devemos permitir! Em todo o mundo, eles são tratados. O tratamento existe e não coloca as pessoas em risco. Além disso, os cães devem ser protegidos do mosquito palha com inseticidas e vacinados contra a leishmaniose visceral.